• Universidade Livre Despertalista

PORQUE EU DESEJO SER PSICANALISTA?!

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A mais antiga memória de mim mesma não surge como contexto físico, real ou espaço-temporal, mas como contemplação. De toda a complexidade que a minha história pessoal me oferece, o que está envolvido em ser humano sempre foi um interesse espontâneo, imediato pra mim. Eu sempre olhei para as pessoas, incluindo-me nesse ato de olhar, como quem olha para universos. E a minha eterna suspeita de que eu olho para algo infinito a cada vez que contemplo alguém é não só a causa do meu olhar como a razão pela qual eu permaneço olhando.

Entre as coisas que vejo está a dor. E o ato de observar a dor do outro não é um ato isento. Eu acredito que a minha tendência em ir algo mais fundo na humanidade me dá acessos a lugares que eu ainda não compreendo, mas que a psicanálise pode me ajudar a compreender, e, quem sabe, a servir de ponte, porta, espelho ou algum outro possível sujeito encontrado em território não mapeado que sugira ao herói da jornada que há um lugar a salvo para a fala, um lugar onde essa fala possa servir de guia ao destino de si mesmo.

A constatação de que nos Estados Unidos e no oeste da Europa tantas vezes a psicanálise é dada como obsoleta além de extremamente mal representada na bibliografia mandatória de Psicologia da Personalidade, me chama muito a atenção. Em países onde o consumismo assume proporções literalmente avassaladoras e a normose é um imperativo, uma condição mesma de inclusão funcional em uma sociedade disfuncional, a inexistência de terapias que apontem caminhos mais profundos e confiáveis para o autoconhecimento é emblemática. Eu ouso dizer que há excesso de espaço para a prática da psicanálise nesses locais. E chamo essa vacuidade de 'excesso de espaço' porque a razão pela qual a demanda pela Psicanálise nesses lugares é quase inexistente é a simples ignorância dessa disciplina e não a falta de necessidade.

Nesse contexto, tendo sempre flertado com arquétipos e estruturas da psique humana, sendo uma apaixonada pela teoria, e tendo profundo respeito pela humanidade, eu me vejo como psicanalista.

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Antonella Moura Marreiros
Graduada em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Brasília;
Aluna do Curso de Formação Psicanalíica da Sociedade Brasileira de Psicanálise Contemporânea em parceria com a Universidade Livre Despertalista;
Residente em Nashville/EUA, em 12 de janeiro de 2018.