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A ESPERANÇA JÁ NÃO É MAIS A ULTIMA QUE MORRE. ESTADOS DEPRESSIVOS, IDEAÇÃO SUICIDA E TERAPIA ORTOMOLECULAR.

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“O suicídio se inicia no momento em que entregamos ao outro o domínio de nossa própria vida... No momento em que abdicamos de nossas vontades e negligenciamos nossos desejos, deixando de lado a autenticidade e suprimindo nossa individualidade.”

David Pecis

 

Em tempos de crise como o que estamos vivenciando observa-se um aumento considerável nos índices de suicídio, foi sabendo disso que Margaret Chan, diretora da OMS (Organização Mundial de Saúde) alertou: “São conseqüências da crise, que deve multiplicar os índices de transtornos mentais. Existem evidências claras que o suicídio está relacionado a desastres financeiros.”, talvez embasada nos inúmeros casos de suicídio ocorridos na grande crise de 1929, todavia devemos ser muito cuidadosos ao relacionar o suicídio ao dinheiro, afinal, se assim fosse, quantos desempregados, moradores de rua e tantas outras pessoas que vivem em precárias condições de subsistência e nunca tentaram o suicídio.

Entende-se que o suicídio e o estado depressivo estão intimamente relacionados, em casos extremos, a pessoa tira sua vida muitas vezes em decorrência de motivo fútil.

Em alguns casos tirar a vida é só a consumação de um fato que já havia acontecido há tempos.

Podemos observar que os índices de suicídios em países desenvolvidos sejam maiores do que em países em desenvolvimento e/ou subdesenvolvidos, onde os cidadãos já estão habituados a uma vida de privações e têm a possibilidade de culpar outros pela sua situação, transferindo para o sistema e para os governantes, a responsabilidade pelo seu infortúnio, aliviando assim, o peso da culpa pelo seu fracasso, o que dificilmente acontece nos países ditos “de primeiro mundo” que teoricamente dão condições igualitárias de desenvolvimento individual a todos, com boa educação, bom sistema de saúde pública, oportunidades de emprego e renda, neste caso, o único responsável pelo fracasso, passa a ser o próprio fracassado, peso e responsabilidade que às vezes torna-se um fardo muito pesado de carregar.

Perder, em geral não é algo que possa se chamar de agradável, e neste caso, a infelicidade e o sofrimento são sentimentos inerentes à perda, seja ela de um ente querido, do emprego, de um bem, ou mesmo do status social, da reputação, da identidade pessoal.

Sentir-se triste em algum momento, ou por alguma coisa, é característica da condição de seres humanos que estamos inseridos, todavia, o estado depressivo, principalmente as refratárias (as que persistem mesmo sem motivo aparente), passam a ser nocivas acompanhadas ou não de ideação suicida.

As causas podem ser infinitamente variadas, tendo em seu hall de possibilidades, a falta de motivação pessoal/profissional, a perda (seja ela qual for), a dificuldade de comunicação, a falta de interação com um grupo social, a privação por falta de recompensas durante a conquista, a solidão, a desconfiguração da imagem pessoal, causas congênitas e hereditárias, dentre outras tantas.

Analisando o perfil emocional do indivíduo em estado depressivo sob o prisma da Terapia Ortomolecular, percebemos que quase sua totalidade estão inseridos em diáteses como a diátese III (distônica), neste caso, caracterizada por uma angústia e tristeza sem ideação suicida e a diátese IV (anérgica), caracterizada pela tristeza com a presença de desejo de morte e ideação suicida.

Em geral um Cliente anérgico apresenta todos os graus de desgosto pela existência, normalmente ocasionado por entender a vida como um grande absurdo, pelo desejo de desistência das atividades, dos esforços, pelo desejo de repouso ou até mesmo de desaparecer.

O Cliente distônico é um melancólico, ansioso, emotivo, angustiado, mas diferencia-se do anérgico no que se refere à agressividade que eventualmente o anérgico apresenta, com nuances de oscilações repentinas de humor que por sua vez o distônico não apresenta.

A terapêutica ortomolecular dispõe de vasto arsenal de pesquisas que permitem a comprovação da validade de sua prática.

Vale ressaltar que após mais de 70 anos de pesquisas e práticas e após mais de 20 anos de utilização dos gluconatos metálicos, não foi possível observar um só caso de efeito tóxico, isto significa que sua toxidade é nula ou quase nula1, desse modo, mesmo o lítio, em sua forma oligoelementar não causa intoxicação orgânica.

A indicação de oligoelementos para o tratamento de estados depressivos é representada pela forma com que a tristeza se apresenta, predominando a melancolia, a inibição psicomotora (que atingem principalmente a comunicação), a presença de idéias suicidas e tantos outros fatores, mas de modo generalizado, podemos observar resultados muito positivos quanto à utilização de complexos oligoselementares como o cobre-ouro-prata e o manganês-cobalto, e do oligoelemento lítio.

O cobre-ouro-prata tem uma ação freqüentemente favorável contra a fadiga, a perda de vitalidade, a abulia e os equivalentes somáticos, já o manganês-cobalto age principalmente combatendo a ansiedade, em casos de ansiedade no estado depressivo não tem muita eficácia se ministrado de forma isolada, neste caso, sugere-se sua associação com o complexo anterior (cobre-ouro-prata), tomados de forma intercalada, um pela manhã e outro a noite.

O lítio tem uma ação direta e eficaz sobre a ansiedade e a tristeza, agindo como corretor de distúrbios do sono.

Com relação à ideação suicida, uma vez presente na sintomatologia da diátese enérgica, a ação do corretor de campo e da barreira intermentes (cobre, cobalto, cromo e selênio), será efetiva no retrocesso do quadro e na melhora dos sintomas.

A proposta de tratamento ortomolecular é individual e específica, devendo-se antes de tudo realizar um levantamento geral de informações a cerca do Cliente mediante entrevistas, anamnese, questionários e análises complementares, para poder classificá-lo em uma diátese, identificando o estado psico-físico para só então indicar com precisão o tratamento adequado e que seja devidamente eficaz. Procedimento que jamais poderia ser feito por pessoa que não disponha de vasto conhecimento do funcionamento bioquímico do organismo, do processo de desarmonia e da terapêutica ortomolecular em si.

Em caso de opção pelo tratamento ortomolecular é imprescindível que o mesmo seja realizado por profissional devidamente qualificado.

E lembrem-se, muitos que andam entre nós, de certa forma, já estão mortos enquanto que alguns de nossos mortos permanecem vivos através dos séculos.

 

David Jansen Pinheiro Pecis

Psicólogo, Psicanalista e Terapeuta Integrativo